Participação societária: tudo o que alguém tem no começo de uma empresa

Alguém começando a sua própria empresa não costuma ter muito: ainda não tem clientes, não tem faturamento, não tem crescimento, em alguns casos não tem funcionários, escritório e muitas outras coisas. O que tem? Basicamente, tem a sua empresa em si. Em outras palavras, tem a participação societária. 100% dela.

E aqui começa a angústia: qualquer assunto que envolva vender ou oferecer partes dessa participação societária costuma causar um arrepio na espinha de um empreendedor ou empresário. Mas não precisa ser assim!

Participação societária e a angústia de abrir mão de parte dela

A participação societária é só sua ou vale a pena oferecer para outras pessoas contribuírem para o seu negócio?

O que é essa participação societária e por que é tão importante?

Em linguagem simples e não jurídica (meus professores da faculdade talvez não gostem muito! haha), participação societária é a “propriedade” sobre a sua empresa. É o que você “tem”, “possui”, da sua empresa. Por exemplo: se você começa sozinho, você tem 100% de participação societária (ou de propriedade) da sua empresa. Se você  começa com um sócio, talvez você tenha 50% da empresa e seu sócio os outros 50%. Nesse caso, você e seu sócio têm 50% de participação societária cada um.

Não vou entrar aqui em explicações mais profundas e complexas sobre diversas formas jurídicas de participação societária (ex.: diferentes classes de ações em uma sociedade por ações) ou instrumentos jurídicos sobre a participação societária (ex.: opção de compra ou dívida conversível). Sem “juridiquês”! 😉

E por que tudo isso é importante? Fácil! Se a empresa não tem nada (ou quase nada) nesse começo, a propriedade é tudo que você e seu(s) sócio(s) terão. Todo o potencial de crescimento, de impacto na sociedade e na vida das pessoas, de transformação de um mercado, de faturamento e tudo mais que você imaginar ou que te motivar a empreender e a ter um negócio próprio estão resumidos nessa famosa “participação societária”. Portanto, de novo: a propriedade da empresa é tudo o que você tem!

 

E onde entra a angústia sobre a participação societária?

 

Pois é! Nenhum dono de empresa gosta de ver a quantia que tem de propriedade sobre a sua empresa diminuída, exceto se puder ver uma relação de troca muito bem definida. Em outras palavras: eu topo dar para você parte da propriedade da minha empresa desde que você gere algum valor para mim e/ou para a empresa. Alguns exemplos concretos:

  • sócios: em muitos casos, é importante você ter um ou mais sócios que trabalharão com você. Fazer uma empresa já é um desafio gigantesco. Fazer sozinho, é quase loucura (eu comecei o Yubb sozinho e fiquei assim por mais de um ano – olhando para trás, hoje estou muito melhor com meus sócios). E, para ter um sócio, você precisa dar parte da sua empresa para ele.
  • investidores: dificilmente você vai conseguir crescer sua empresa sozinho ou só com seus sócios. Você precisa ter pessoas com mais experiência para ajudarem nesse crescimento. Além disso, você precisa de dinheiro para contratar funcionários, comprar equipamentos, contratar advogado, investir em divulgação, ter um escritório próprio (ou alugar um espaço compartilhado), entre outras coisas. Esse é o papel do investidor: dinheiro com conhecimento (também conhecido como “smart money“).
  • outras pessoas: mais pessoas que contribuam para a empresa nesse começo podem receber participação societária: mentores, empresas parceiras, funcionários… ou artistas! Tem um caso legal: o primeiro escritório do Facebook foi pintado por um artista da Califórnia que aceitou receber ações da empresa ao invés de pagamento em dinheiro. A razão? O Facebook não tinha grana naquele momento para pintar seu escritório. Resultado: aquela “propriedade” que o artista recebeu do Facebook hoje vale mais de 200 milhões de dólares.

Essas são algumas situações em que pode valer a pena você oferecer parte da propriedade que você tem da sua empresa em troca de algo que vá gerar valor: conhecimento, expertise, aconselhamento, dinheiro ou mesmo um escritório grafitado! Até aqui, tudo bem. Mas a angústia e o incômodo surgem porque você não sabe dizer se aquela pessoa com a qual você vem conversando vai ser boa ou não para o seu negócio como sócio; se um investidor que você conheceu vai realmente contribuir para o que você precisa; se um mentor de fato ajudará você como ele prometeu.

E mais: quanto da minha empresa eu devo dar para um sócio, um investidor, um mentor, um conselheiro, uma empresa parceira ou para qualquer outra pessoa que queira contribuir para a minha empresa? 10%? 20%? 30%? Estou dando muito da minha empresa? Estou dando pouco e a pessoa / empresa não vai se motivar a contribuir para o meu negócio? Como faço para negociar isso da melhor forma possível? Como eu aprendo a negociar? Como, como, como?!

Calma, um passo de cada vez! O objetivo aqui é falar um pouco dessa angústia e “medo” em dar participação societária para alguém. Em outro momento, podemos falar sobre formas de negociar e de se proteger na negociação com sócios e investidores. Sobre isso, dois materiais bem legais: vídeos da Endeavor sobre negociação com investidores e um vídeo do Marco Gomes / Startupi sobre “vesting” e “cliff (formas de você se proteger ao oferecer participação societária).

 

Ter menos de algo grande ou mais de algo pequeno?

Eu demorei bastante até aceitar o fato de que precisava de sócios no Yubb para acelerar o desenvolvimento da empresa e para encontrar investidores que gerem valor. Essa demora não foi a melhor decisão que já tomei, mas faz parte do meu próprio amadurecimento como empreendedor. Nesse meio tempo, recebia provocações e questionamentos de amigos empreendedores como o Felipe Cresciulo da Alecrim e do Thiago Aragão da Ventura VC sobre essa minha demora.

Foi importante ouvir de pessoas mais experientes sobre acelerar para ter mais sócios e receber investimento. Mesmo assim, é o que eu sempre falo aqui: o empreendedor precisa vivenciar os próprios desafios e a sua própria trajetória para aprender e amadurecer. Claro que conselhos e sugestões de outras pessoas são importantes e devem fazer você pensar sobre o assunto e ponderar se está tomando as melhores decisões. Mas também é relevante você estar confortável e seguro do que fazer com sua empresa, quem ter como sócio e quem trazer como investidor.

Nesse meu amadurecimento, aprendi que a esmagadora maioria das empresas com destaque em crescimento, faturamento, impacto na sociedade e relevância em uma indústria tinha sócios e/ou investidores externos com participação societária. Pode pensar aí: Google, Apple, Facebook, Microsoft, Amazon, AirBnb, Carrefour, Walmart, Xiaomi, Twitter, LinkedIn, Instagram, WhatsApp e muitas outras! Ao perceber isso, ficou mais fácil aceitar o fato de que eu precisava de mais pessoas ao meu lado contribuindo para o crescimento do Yubb. Se todos eles também tiveram sócios e investidores, eu também precisava dessas pessoas no Yubb!

Algumas coisas não podem ser feitas por uma só pessoa. Seja porque é muito trabalho, é muito difícil, é muito arriscado, é muito estressante, é muito cansativo… independentemente do motivo, você vai precisar de ajuda, contribuições externas e mais pessoas. Criar uma empresa é uma dessas situações.

E vale aquela provocação típica de empreendedores: mais vale ter 100% de uma empresa pequena e pouco expressiva ou 30% de uma empresa muito grande, transformadora e relevante? O que é melhor na sua opinião ou no caso da sua empresa? Conta aqui embaixo =)

Sou fundador e CEO do Yubb (yubb.com.br), o primeiro buscador do Brasil para que qualquer pessoa com no mínimo R$ 1,00 encontre melhores investimentos para ganhar mais do que a inflação. Você pode ler mais sobre o propósito desse blog aqui. Meu e-mail: bernardo@bernardopascowitch.com.br